E que tal como o meu avô percebeu, percebam que não estamos a viver como a nossa alma quereria. Mas 1 pessoa de cada vez, conseguimos regressar do desvio que temos feito:
“Às vezes julgo que sou uma espécie de cobaia do futuro e que, irremediavelmente, faço parte daqueles que andam a ensaiar outro modo de tocarmos o mundo. Vejo, e não quero fingir que não vejo, que as pessoas andam muito magoadas a viver o que vivem.
Creio que tudo se está a passar ainda no estado intermédio do destino humano: as raças, as civilizações, a Terra inteira. É possível que esta história não seja ainda a história do homem mas a de um ser intermédio.
O pior é que as coisas que por aí se passam chamamos de normalidade. Foi só para essa normalidade que fixámos as regras: para os poderes, os bens, os trabalhos, os amores, e são elas que nos magoam.
Quem pressente que não foi para isto que nascemos não pode conformar-se, tem de tentar descobrir outra vida e dizer ao outro como é.“
António Alçada Baptista, O Riso de Deus